Algumas palavras são ditas antes de pensadas. Saem sem entender aquelas outras palavras ditas por outros lábios, lábios as vezes mudos por gotas salgadas que deslizam pelos seus cantos. E alguém chora, e alguém se preocupa e as palavras se alinham pelo desalinho de linhas planejadas as pressas e que não foram pensadas.
Há um beijo, uma discussão e as palavras se entrelaçam num contexto enrolado de ideias abaladas.
Ideias que surgem e voltam. Certezas errantes do acaso contínuo de um cotidiano à dois, onde uma discussão se prolonga por um pedido descuidado, não pensado e é discutido para escolher o certo e criticar o errado, mas a matemática ainda não sabe equacionar duas almas perdidas entre o céu e a terra.
O casal sente a tristeza alheia que os machuca.
Então surge o silêncio.
Silêncio orgulhoso que espera algo acontecer. Mas o quê?
Uma surpresa. Um beijo, um pedido de desculpas bem feito, um choro incessante, um abraço tímido. O sentimento que se põe entre dois corpos e duas ideias. Duas mentes diferentes que pensam iguais, dispostas a trabalharem juntas a fim e afim de permanecerem unidas em todos os sentidos, por todos os pensamentos. Tramadas e urdumadas numa tela onde se colore uma vida eterna entre esses dois amantes que não podem mais se separar.
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quinta-feira, julho 26
quarta-feira, maio 23
Carta Inerte
Sei que estou meio no "automático", mas não é por mal. Há momentos em que explodo e outros que me torno inerte...mais aérea que o normal... mas não é por mal. Não sei lidar de outra forma, não sei ver outra nota ou mudar o meu tom nessas horas. Saibas que não faço por mal.
Sinto muito pela melodia muda que não sai do meu peito...ou talvez não sinta tanto já que foi o teu silêncio cego que plantou estas notas mudas em mim. Espero que não tenha nenhum espinho meu te maltratando tanto assim.
Sei que já sou perdida por natureza...e que vim com defeitos de fabricas já listados por mim. Sei que parece que me perdi de ti, mas queria que tu parasses de andar e pensasses se não foi tu que também começaste a se perder de mim?
sexta-feira, dezembro 16
Conto surdo.
Tanto tempo passa o mundo a girar.
Vendo o vento voltar do morro, além do mar.
Corro contra o tempo para poder viver um tanto mais.
Paro para sentir o vento e sei que estou em paz.
Será que as luzes lá em cima um dia vão queimar?
Ontem descobri que o ar que me fascina planeja me matar.
Ontem descobri que o ar que me fascina planeja me matar.
Simplório é o sono da cidade que não descansa, se cansa, dança...
É fácil crer, gostoso de ver, difícil é explicar.
O horizonte longe guarda um mundo mudo
Dono de tantas coisas, impossíveis de listar.
Quem sabe um dia desse alguém desvenda o todo disso tudo
Mas depois que descobrirem, o que mais poderei questionar?
terça-feira, outubro 11
Arte sem atrito.
O vento que sopra lá fora faz da minha janela sua tela de aquarela. Ele joga a chuva contra o meu reflexo no vidro. Arte abstrata que mistura ideias como uma montanha russa mistura sua percepção e te faz cair para cima de um jeito que só os corajosos podem saber e sentir. A sensação de quem é sugado para dentro de uma gota d'água e que por sua vez preenche todo o seu pensamento sobre a sua respiração no vidro. E você sorrir e continua a espalhar o seu calor por todo o vidro e desenha naquela superfície sólida e gelada, salpicada por movimentos da aquarela com cheiro de terra molhada que o vento lhe proporcionou. A sua cor está no seu reflexo e na paisagem de fundo do outro lado da tela, mas o que você realmente fixa é na gota que se desprende de uma outra. E você a acompanha pelo caminho. Dançando e ziguezagueando pelo vidro, sem rumo e sem atrito, procurando um par para se entrelaçar.
E por acaso somos nós tão diferentes assim?
terça-feira, setembro 27
Uma Carta para o Bardo.
Não sei mais o que te dizer e nem sei mais se as palavras podem me ajudar. O "Eu te amo" não faz tanto sentido. "Eu te amo" é vago demais. Ele ‘é’ porque se tornou um ‘ser’ e não mais um ‘estado’, porque a planta que você cultivou nasceu e se mostrou uma erva daninha que fincou na minha terra, me arrancou o ar e deixou o teu calor exalando aquele perfume que me deixa vulnerável.
Eu desisto da comunicação verbal porque ela não faz a menor lógica agora. As palavras saem da minha boca, eu molho os meus lábios e as repito para tentar entendê-las. Os teus lábios sussurram minha canção de ninar, seus beijos silenciam a minha mente. As palavras foram reduzidas a ‘nada’ porque teu espírito se tornou o ‘todo’ quando se entrelaçou ao meu.
E assim você consegue despertar em mim todas as reações possíveis e impossíveis e isso é o que me faz ter certeza que há algo entre nós. Algo que não tem uma fórmula específica. Algo essencial para uma vida saudável a dois e como eu não encontro mais nas palavras um sentido concreto da sensação abstrata que esse ‘algo’ desperta, vou continuar a dizer essas 3 palavras, segura de mim, mesmo que ainda pareçam efêmeras demais quando comparadas ao que eu sinto por você.
sexta-feira, agosto 26
Borbemolta
A monarca, meio tímida, veio compondo uma sinfonia muda que só meus olhos podiam ouvir. Indo de uma ponta a outra ela dançava, cheia de vida, sobre uma partitura que ela desenhava no vento. Vento que lhe balançava no balanço impulsivo de um tango apenas de um. Entre compassos, colcheias e fusas, ela subia e descia nas pautas, dando nome as claves e colorindo um quadro de notas, preso a um cavalete imaginário que o chão não poderia sustentar.
Tentei me aproximar da exuberante performance da minha artista incipiente que brilhava fingindo não me notar. A observei marcar a respiração enquanto me perdia na renda refinada de suas asas. Ela mergulhava no ar, vislumbrando seu reflexo na poça d'água da chuva passada e sorria para si enquanto a trilha sonora do momento se alegrava e eu me esquecia do tempo. Melodia que saciava a minha sede, ninfa fugidia do espelho da minha alma, não há como nele se perder.
Eu fechava os olhos e podia sentir a silhueta frágil de suas vidraças alaranjadas quando essa pequena notável roubava a atenção do meu espírito com a leveza surrealista que ela me presenteava. Modificava o espectro com seus tons e meio tons, sua alteza fez uma reverência cordial aos aplausos sorridentes da incandescência solar, suas cores se distanciaram, sua sinfonia subiu entre as nuvens, invejando o rouxinol narcisista que parou de cantar para ver a majestade insecta voar para outro lugar.
Tentei me aproximar da exuberante performance da minha artista incipiente que brilhava fingindo não me notar. A observei marcar a respiração enquanto me perdia na renda refinada de suas asas. Ela mergulhava no ar, vislumbrando seu reflexo na poça d'água da chuva passada e sorria para si enquanto a trilha sonora do momento se alegrava e eu me esquecia do tempo. Melodia que saciava a minha sede, ninfa fugidia do espelho da minha alma, não há como nele se perder.
Eu fechava os olhos e podia sentir a silhueta frágil de suas vidraças alaranjadas quando essa pequena notável roubava a atenção do meu espírito com a leveza surrealista que ela me presenteava. Modificava o espectro com seus tons e meio tons, sua alteza fez uma reverência cordial aos aplausos sorridentes da incandescência solar, suas cores se distanciaram, sua sinfonia subiu entre as nuvens, invejando o rouxinol narcisista que parou de cantar para ver a majestade insecta voar para outro lugar.
quarta-feira, julho 13
Esquina
Ela chegou na esquina dos ventos, onde por ela passam alíseos, monções, brisas, que a empurram para todas as direções e ela não sabe pra onde ir. Ela estava certa de sua trajetória, estava certa do tempo ameno que fazia poucos minutos atrás, mas tudo mudara. Surgira a dúvida com sementes que os ventos por lá semearam ao redor da menina.
Ela fechara os olhos, perdida em si mesma, abraçando o próprio corpo para se proteger do frio. Então uma mão segurou a sua, mas ela não quis ver. Tinha medo do que poderia acontecer. Alguém a guiava para algum lugar onde os ventos não arranhavam mais seu rosto. Ela sentiu o frio passar e o vento acariciar sua face, seus lábios, sua cintura...
Quando ela abriu os olhos a lua se escondeu, ocultando o rosto de seu guia. Ela sorria para a sombra que ela temera. Ela sorriu para si mesma, beijando o guia sem um rosto, enquanto a lua lhe roubava sua atenção, seu guia também se foi, lhe deixando uma ponta de saudade, deixando aos seus pés uma semente rasgada de um verde tímido e vivo que não esperava nascer.
Ela fechara os olhos, perdida em si mesma, abraçando o próprio corpo para se proteger do frio. Então uma mão segurou a sua, mas ela não quis ver. Tinha medo do que poderia acontecer. Alguém a guiava para algum lugar onde os ventos não arranhavam mais seu rosto. Ela sentiu o frio passar e o vento acariciar sua face, seus lábios, sua cintura...
Quando ela abriu os olhos a lua se escondeu, ocultando o rosto de seu guia. Ela sorria para a sombra que ela temera. Ela sorriu para si mesma, beijando o guia sem um rosto, enquanto a lua lhe roubava sua atenção, seu guia também se foi, lhe deixando uma ponta de saudade, deixando aos seus pés uma semente rasgada de um verde tímido e vivo que não esperava nascer.
quarta-feira, junho 22
Cartas Narrativas
Ah, menino, aquela garota não faz por mal. O mar a levou para uma expedição e a devolveu com um outro olhar. Antes ela só olhava para o horizonte, se pondo a imaginar onde aquilo tudo iria dar. Ela caiu no olho de uma tormenta e isso mexeu com a sua cabeça. Ela bebeu da água salgada e nunca mais foi a mesma.
Ah, menino, não era para ser assim, e e ela te alertou sobre teus sonhos. Mas você sorriu e foi traído por eles, entrando na tormenta de pensamentos salgados daquela garota perdida, fazendo seu coração esquecido despertar pela dor da ferida que fora se abrindo conforme a água batia. E você gritou e você chorou. E ela chorou com você e sentiu a tua dor. Com a boca seca sibilou um ''sinto muito'' enquanto teu coração se rasgava e o dela deixava de ter calor. Batidas hipotérmicas começaram a surgir, a graduar de tempo em tempo e nem teu mais sincero suspiro poderia salvar sua pele de veludo daquele gelo de junho.
Ah menino, se atire naquele rio de vida. Sorria e se deixe viver! Feche os olhos e não tenha medo da correnteza. Siga o rumo que ela te mostrar e seja feliz. Aquieta o frágil músculo dentro do teu peito e ame-o acima de qualquer outra obra vinda dentre os melhores tecelões, pois sem ele você não teria esta jovem descoberta que batizaras como a capacidade de amar.
Ah, menino, não era para ser assim, e e ela te alertou sobre teus sonhos. Mas você sorriu e foi traído por eles, entrando na tormenta de pensamentos salgados daquela garota perdida, fazendo seu coração esquecido despertar pela dor da ferida que fora se abrindo conforme a água batia. E você gritou e você chorou. E ela chorou com você e sentiu a tua dor. Com a boca seca sibilou um ''sinto muito'' enquanto teu coração se rasgava e o dela deixava de ter calor. Batidas hipotérmicas começaram a surgir, a graduar de tempo em tempo e nem teu mais sincero suspiro poderia salvar sua pele de veludo daquele gelo de junho.
Ah menino, se atire naquele rio de vida. Sorria e se deixe viver! Feche os olhos e não tenha medo da correnteza. Siga o rumo que ela te mostrar e seja feliz. Aquieta o frágil músculo dentro do teu peito e ame-o acima de qualquer outra obra vinda dentre os melhores tecelões, pois sem ele você não teria esta jovem descoberta que batizaras como a capacidade de amar.
quarta-feira, maio 18
Pode tentar me acompanhar?
Entre uma palavra e outra, eu crio ligações ou quebro-as. Entre suas camadas, suas partículas seus neutrons, dá para ver meus pensamentos se formando em cada letra, em cada ponto, um amontoado de ideias, pensamentos, opiniões e contradições se ligam entre si na organizada bagunça que é minha mente que não mente quando digo tais palavras sem pausas mentais, diferente de como escrevo que tem sempre uma pausa, se não seria difícil entender tudo que penso, ou melhor, mais difícil de entender tudo que penso, falo e escrevo. Mas afinal de contas, não está tudo conectado? Sou o que falo, penso e escrevo, sou a mesma com ou sem pausa...Mas na verdade eu, eu mesma não tenho pausa, você não encontrará em mim um botão de liga/desligada pois a minha energia nunca acaba, porque eu penso em muita coisa ao mesmo tempo, sinto, falo e escrevo diferentes coisas e todas reais, todas interligadas e sem ligação alguma com pensamentos reciclados, refeitos, repensados, imutáveis. Sou um narrador desfocado, narrador oculto, narrador personagem, um mero figurante, um coadjuvante e o protagonista desse monólogo que vivo por entre essas linhas que penso cá comigo.
quinta-feira, abril 28
Frustração, desejo e texto.
Olho para a tela e não há nada lá a não ser o piscar do cursor, afrontando-me, inibindo minha mente de trabalhar como se eu fosse a cobaia de uma lobotomia bem sucedida. Me encontrava no meio da escassez de ideias e palavras. Meu córtex foi desligado, ou melhor, sintonizado em outra frequência que não pegava a tempestade de palavras que deveria me molhar.
Eis que surge uma ideia. Uma explosão de palavras silenciosas se desencadeia. O Brainstorm que eu esperava deixou meu corpo visível. Pude tocá-lo, sentí-lo e refrescar a minha alma. Aquela sensação me tomou. Me prendeu. Estou presa em palavras, música. figuras, corpos e almas.
O cursor não piscava mais, ele marcava o tempo entre as palavras enquanto meus dedos dançavam sob o teclado, se embolando e dando vidas a palavras que formavam a sinfonia eufórica da eufonia que ecoava dentro de mim.
Eis que surge uma ideia. Uma explosão de palavras silenciosas se desencadeia. O Brainstorm que eu esperava deixou meu corpo visível. Pude tocá-lo, sentí-lo e refrescar a minha alma. Aquela sensação me tomou. Me prendeu. Estou presa em palavras, música. figuras, corpos e almas.
O cursor não piscava mais, ele marcava o tempo entre as palavras enquanto meus dedos dançavam sob o teclado, se embolando e dando vidas a palavras que formavam a sinfonia eufórica da eufonia que ecoava dentro de mim.
domingo, abril 17
Definindo amor
Alguém sabe me dizer o que é amar, se não um distúrbio mental que nos deixa em êxtase profundo durante algum tempo, inflando nosso ego e cegando o nosso bom senso ou até mesmo uma fórmula de um bom bolo caseiro, aquele feito com esmero e o resultado é tão bom que acaba rápido [?].Quando se vê, a última fatia foi embora. E tem gente que passa mal de tanto que comeu, tem gente que prefere saborear, outros nem mastigam e tem aqueles que custam a acreditar que aquele manjá dos deuses acabou. Todos querem um pedaço, talvez o bolo inteiro mas ninguém se contenta com as migalhas.
Amor é um estado psicológico, uma doença prazerosa. É um homem feudal que te escraviza, te deixa sem dormir, sem comer e mesmo assim você deseja nunca ter a sua carta de alforria e, diferente do Brasil Colônia, ela chega um dia.
Amor é uma aglutinação da amizade com a carne e que pode perder alguns elementos, dependendo da pessoa. É uma justaposição, uma parassíntese, um neologismo, uma catarse, uma metáfora, ele é a linguagem do corpo, da alma e espírito. Ele é um cristão, um ateu, um pagão.
Amor é teoria em "não prática" e prática em "não teoria". Ele se contradiz, se afirma, voltamos ao início e fazemos um novo final. É psicológico.
sexta-feira, abril 8
Boneca de Pano
Repare bem, repare bem de perto. Repare nos olhos inanimados da boneca que um dia sentiu algo, algo que nunca soube explicar e que perdeu antes de descobrir o que lhe foi tirado. De um grito silencioso lhe foi roubado um suspiro. Seu mais preciso suspiro. Essa boneca de pano pintava uma tela de um modo peculiar que eu não saberia descrever aqui. Mas, mesmo assim, irei tentar. Ela pintava vida quente com gosto de morango maduro, daqueles bem doces e azedinhos, do jeito que gostava de saboreá-los.
Ela percorria a ponta do pincel com seus olhos amendoados, aqueles mesmos que nos deixavam admirar a alma daquela boneca que não possuía batimentos cardíacos mas pulsava com o coração mais real que eu já vi.
Algo dentro dela dormia, de um jeito gostoso de se ver alguém dormir. Sua curiosidade voraz em despertar aquilo, que sempre dormiu, um dia o fez. Ela conheceu a dependência sem saber ao certo o que era, e quando descobriu, o estrago estava feito.
Sua tela desmanchou-se, suas tintas desapareceram. Sua vida de morangos estava perdida, solta em algum lugar onde ela não sabia ir. A pobre boneca passava os dias lembrando e sonhando. Fazia perguntas vazias, sem querer saber as respostas, sem compreender o que se passava dentro de si.
Ela estava dormindo? estava acordada? Onde posso ir? Onde quero ir?
"Volte a dormir. Eu canto a ti a melhor canção de ninar".
Sua garganta se fechou, pôs-se a chorar sem saber o que era uma lágrima. Diante de tanta novidade, seus olhos vagaram, observando o nada e o tudo, enquanto se esquecia de respirar, tentando achar a resposta que nunca conseguiu entender. Sua cabeça pendia para o lado e lá ficava. Encarando o espelho que a lembrava do vazia despertado dentro dela. "Cantarei para ti a melhor canção de ninar..."
Sua garganta se fechou, pôs-se a chorar sem saber o que era uma lágrima. Diante de tanta novidade, seus olhos vagaram, observando o nada e o tudo, enquanto se esquecia de respirar, tentando achar a resposta que nunca conseguiu entender. Sua cabeça pendia para o lado e lá ficava. Encarando o espelho que a lembrava do vazia despertado dentro dela. "Cantarei para ti a melhor canção de ninar..."
domingo, abril 3
Desalinhada
Estranho é essa sensação de perda de alguém que eu nunca conheci. Como você perde alguém que nunca viu, Estranho? O que posso fazer com esse vazio que me parece infinito e que toma conta dos meus pensamentos quando eles adormecem?
Você viu o meu riso por aí? Eu o perdi já faz um tempo e não o acho em lugar algum. Achei um forçado na gaveta do meu criado mudo mas é estranho usá-lo, ele não soa como meu. Alguém roubou o meu reflexo no espelho e pôs um falso lá. Essa garota apática, sem vida e com esse olhar fosco não sou eu, Estranho, acredite quando eu digo isso.
Eu tenho lutado contra o meu sono mas ele sempre me vence, então eu me agarro aos meus sonhos desejando que eles me livrem dessa realidade cinza. A tristeza me abraça carinhosamente enquanto eu me sinto um boneco de lata com a bateria fraca. Me diga, estranho, se a minha cura existe onde ela está?
Você viu o meu riso por aí? Eu o perdi já faz um tempo e não o acho em lugar algum. Achei um forçado na gaveta do meu criado mudo mas é estranho usá-lo, ele não soa como meu. Alguém roubou o meu reflexo no espelho e pôs um falso lá. Essa garota apática, sem vida e com esse olhar fosco não sou eu, Estranho, acredite quando eu digo isso.
Eu tenho lutado contra o meu sono mas ele sempre me vence, então eu me agarro aos meus sonhos desejando que eles me livrem dessa realidade cinza. A tristeza me abraça carinhosamente enquanto eu me sinto um boneco de lata com a bateria fraca. Me diga, estranho, se a minha cura existe onde ela está?
segunda-feira, março 28
Poça d'água
Presente é passado e futuro, o futuro é presente e passado, o passado é futuro e presente. É um instante preciso e impreciso que embaralha o agora de cada dia e hora. É algo que eu sinto, vejo e ouço. É música, é palavra, é vento, é vida.
Não sei se proseio ou poetizo a vida, o que busco é a essência dela e tento no entanto destacá-la à olhos desconhecidos, curiosos e amigos. Aproveito cada instante que ela me presenteia com todas as veias do meu ser, mesmo os meus erros, minhas lágrimas e frustrações. As vezes penso que sou a coadjuvante da minha vida, outras penso que sou apenas uma figurante e as vezes que restam, eu sou a personagem principal dela. De uma forma ou de outra eu estou nela. Ela tem a minha marca em cada parágrafo e folha. Eu estou nas palavras que nela são inscritas e escritas.
Palavras, palavras, palavras. Amo o som dessa palavra de tantos sentidos, que transforma a minha vida em um carrossel de cores, em montanha russa de risos e lágrimas. É minha canção de ninar, a tinta que preenche a tela branca do pintor, é o ponto nevrálgico do meu ser.
Não sei se proseio ou poetizo a vida, o que busco é a essência dela e tento no entanto destacá-la à olhos desconhecidos, curiosos e amigos. Aproveito cada instante que ela me presenteia com todas as veias do meu ser, mesmo os meus erros, minhas lágrimas e frustrações. As vezes penso que sou a coadjuvante da minha vida, outras penso que sou apenas uma figurante e as vezes que restam, eu sou a personagem principal dela. De uma forma ou de outra eu estou nela. Ela tem a minha marca em cada parágrafo e folha. Eu estou nas palavras que nela são inscritas e escritas.
Palavras, palavras, palavras. Amo o som dessa palavra de tantos sentidos, que transforma a minha vida em um carrossel de cores, em montanha russa de risos e lágrimas. É minha canção de ninar, a tinta que preenche a tela branca do pintor, é o ponto nevrálgico do meu ser.
segunda-feira, fevereiro 28
Gotas de vida.
E a chuva lá fora cai. Cai com vontade, cai para admirar o menino apaixonado, para inspirá-lo a amar ainda mais aquela que seus olhos captaram. Ela cai para molhar a terra cinza de tristeza, para celebrar uma vida, para levar uma morte. Cai para aliviar o peso desse ar da cidade grande, desse mundo tão grande e tão frágil.A chuva lá fora cai para lembrar que tudo passa. Que tudo ela leva. Ela cai para saciar a minha sede de felicidade simples, para me presentear com cheiro de terra molhada, para me fazer sentir despreocupada e segura. Ela me faz rir quando estou nela, quando vejo uma criança brincando na lama e percebo que essa criança também está dentro de mim. Ela mantém viva minhas melhores lembranças melancólicas de uma maneira saudável. Ela me escuta e me faz sentir um bem estar que só sinto quando ela cai. Ela cai para me guardar.
quinta-feira, fevereiro 17
Questionar é complicado.
Não sei o que escrever. Não sei o que escrever porque não sei o que sentir. Acho que sinto tudo. Acho que sinto nada. Acho que só "achar" não tem valor, porque não tenho uma certeza. E a minha dúvida não é questionável, já que eu não sei o que questionar. Acho que enlouqueci. Só acho. Mas onde é que está a certeza? Será que tenho alguma? Duvido até da existência de alguns e te digo que nunca pensei na minha. Acho que eu tenho uma vida ordinária. Só acho.
Acho que em alguns momentos eu tenho certeza de algo. Mas ela se torna questionável e eu percebo que ela não existe. Minha certeza é uma amiga imaginária que as vezes eu questiono sua existência. Assim como tantos sentimentos e pensamentos, ora acho não serem nada, ora acho serem tudo. Mas eu só acho.
Acho que em alguns momentos eu tenho certeza de algo. Mas ela se torna questionável e eu percebo que ela não existe. Minha certeza é uma amiga imaginária que as vezes eu questiono sua existência. Assim como tantos sentimentos e pensamentos, ora acho não serem nada, ora acho serem tudo. Mas eu só acho.
segunda-feira, janeiro 17
Consegue entender?
Ninguém é perfeito e eu sei exatamente disso. Minha alma é critica, é orgulhosa e egocentrica. E não culpo ninguém por isso, porque se culpasse, estaria negando o meu reflexo. Meu exemplo está muito longe de alcançar uma pseuda perfeição. Na maioria das vezes eu sou educada por obrigação e simpatia. Estou sempre corrigindo as pessoas porque acho que assim vou estar ajudando elas, nunca prejudicando... só prejudico quando eu não gosto da pessoa. Sou sincera e bastante grossa quando preciso ser e é por isso que as pessoas me julgam como metida, "Querendo ser Deus", "Dona da Verdade" e fria. [esse parágrafo é sobre os meus defeitos, ou os maiores deles]
Eu posso ser muito melancólica quando eu caio naquela rotina de não fazer nada e com isso querer a sua atenção porque me sinto isolada. É quando a carencia me ataca. Eu tenho medos...medos que ninguém pensaria que eu pudesse ter. Medos sociais, imaginários, seja lá o que forem, já que eu nunca soube me relacionar com outras pessoas. E quando eu sabia - ou melhor - quando eu sei eu me importo com essa pessoa. Eu luto por essa pessoa. Eu me desespero, me preocupo, carrego suas dores, absorvo sua felicidade. Eu procuro ajudá-la de qualquer maneira mas meto os pés pelas mãos. Eu sou uma desastrada em todos os sentido e não sei a hora certa de dizer eu te amo...até porque é raro eu dizer...
Sim, eu sonho. Sonho até demais, sempre. Toda noite antes de dormir, todo dia antes de acordar, quando eu ando, ouço música, quando leio por isso me chamam de sonhadora, de Alice, dizem que eu vivo no mundo da Lua. Porque lá eu me sinto mais forte já que aqui eu sou quase uma carniça. Sempre fui um peixe fora d'água...ou melhor...um pássaro dentro d'água e, também um tanto pessimista. [dois parágrafos para as minhas fraquezas]
Sou uma boa ouvinte. Estou sempre ajudando os outros e quando não consigo, me sinto mal. Não consigo ficar muito tempo sem rir, não gosto de ver ninguém triste, não gosto de dormir, não gosto de acordar tarde, adoro um bom livro, uma boa música, adoro comer morango, melancia, adoro ir ao cinema, comer uma boa pizza com a mão, adoro sorvete, adoro cantar, pular, algodão doce, de ficar na praia a noite, de deitar no chão e ficar vendo o céu, de olhar pra lua, de tirar fotos, adoro moda, tocar violão, adoro desenhar e adoro implicar com quem eu gosto.
Depois disso acredite se quiser mas a minha simpatia é timida. E acredite também que eu posso ser bastante extrovertida se for pra deixar todos confortaveis e menos tímidos, se o sangue estiver vivo ou se eu não saber o que fazer. Sou sempre a primeira a chegar na pista de dança e a ultima a sair de lá. Alguns até dizem que eu não tenho o botão "desligar". Eu nunca fiquei bêbada, odeio cigarro, eu choro...e muito e sou também um tanto otimista. [dois parágrafos sobre o resto]
Eu posso ser muito melancólica quando eu caio naquela rotina de não fazer nada e com isso querer a sua atenção porque me sinto isolada. É quando a carencia me ataca. Eu tenho medos...medos que ninguém pensaria que eu pudesse ter. Medos sociais, imaginários, seja lá o que forem, já que eu nunca soube me relacionar com outras pessoas. E quando eu sabia - ou melhor - quando eu sei eu me importo com essa pessoa. Eu luto por essa pessoa. Eu me desespero, me preocupo, carrego suas dores, absorvo sua felicidade. Eu procuro ajudá-la de qualquer maneira mas meto os pés pelas mãos. Eu sou uma desastrada em todos os sentido e não sei a hora certa de dizer eu te amo...até porque é raro eu dizer...
Sim, eu sonho. Sonho até demais, sempre. Toda noite antes de dormir, todo dia antes de acordar, quando eu ando, ouço música, quando leio por isso me chamam de sonhadora, de Alice, dizem que eu vivo no mundo da Lua. Porque lá eu me sinto mais forte já que aqui eu sou quase uma carniça. Sempre fui um peixe fora d'água...ou melhor...um pássaro dentro d'água e, também um tanto pessimista. [dois parágrafos para as minhas fraquezas]
Sou uma boa ouvinte. Estou sempre ajudando os outros e quando não consigo, me sinto mal. Não consigo ficar muito tempo sem rir, não gosto de ver ninguém triste, não gosto de dormir, não gosto de acordar tarde, adoro um bom livro, uma boa música, adoro comer morango, melancia, adoro ir ao cinema, comer uma boa pizza com a mão, adoro sorvete, adoro cantar, pular, algodão doce, de ficar na praia a noite, de deitar no chão e ficar vendo o céu, de olhar pra lua, de tirar fotos, adoro moda, tocar violão, adoro desenhar e adoro implicar com quem eu gosto.
Depois disso acredite se quiser mas a minha simpatia é timida. E acredite também que eu posso ser bastante extrovertida se for pra deixar todos confortaveis e menos tímidos, se o sangue estiver vivo ou se eu não saber o que fazer. Sou sempre a primeira a chegar na pista de dança e a ultima a sair de lá. Alguns até dizem que eu não tenho o botão "desligar". Eu nunca fiquei bêbada, odeio cigarro, eu choro...e muito e sou também um tanto otimista. [dois parágrafos sobre o resto]
sábado, janeiro 8
Her every Morning
Ela acorda, toma seu chá e tira a roupa. Sua pele se arrepia ao toque gelado do banho matinal. Ela respira fundo e deita a cabeça para trás, a água percorre seu corpo fazendo caminhos. Ela respira e se ensaboa massageando a sua nuca. Ela espirra ao sair do banheiro e o telefone toca e molha a casa toda para atendê-lo. Ela pensa em como seria bom não existir para eles por alguns dias. Ela tranca a porta e corre para pegar o trem. A estação estava vazia nessa sexta de manhã. Era véspera de feriado e a maioria foi viajar. Ela senta e coloca seu fone de ouvido ela não quer saber de ninguém ali por perto. Seus pensamentos estão longe e são quase vazios. Ela percebe que um gato gordo a olha no colo de uma mulher parada do lado de fora da estação mas logo a imagem se embassa e muda constantemente a cada vez que ela pisca os olhos. Ela tenta não piscar tanto e percorre com o olhar todas as nuvens daquele céu nublado. Enquanto ela vê formas nas nuvens e sorri para o nada, ele, que está em pé do outro lado do vagão, a olha com carinho e sorri.
Anda sempre de cabeça baixa para não esbarrar em um olhar curioso e faminto. E nas poças d'água ela encara o seu reflexo.
Já nos degraus da revista em que trabalha, no departamente de criação, seus primeiros "bom dias" são ditos, tão falsos quanto os que são recebidos. Chegando no escritório ela pega sua pasta de criações dentro de uma gaveta trancada e a põe na mesa. Ela se abaixa para pegar os papéis que acabaram de cair e os lápis vendo a cena se formar sentem vontade de pular de sua mesa também. Ela pega tudo e coloca de volta a mesa e então olha pela janela. Ela encara o seu próprio reflexo, o vazio que há naqueles olhos negros que desejam ser preenchidos por algo que ela ainda não sabe o que é. Ela olha para dentro deles e procura por algo que ela não faz se quer a mínima ideia do que seja. Ela parece distante, pensando em nada em particular.
É então que o celular dela toca. A rotina a chama de volta para a realidade monótona de todos os dias serem sempre o mesmo dia sempre. Ela deseja mais uma vez ser esquecida por eles. Ela deseja mais uma vez encontrar algo de valor. O que você perdeu? Do que você precisa, minha menina?
Anda sempre de cabeça baixa para não esbarrar em um olhar curioso e faminto. E nas poças d'água ela encara o seu reflexo.
Já nos degraus da revista em que trabalha, no departamente de criação, seus primeiros "bom dias" são ditos, tão falsos quanto os que são recebidos. Chegando no escritório ela pega sua pasta de criações dentro de uma gaveta trancada e a põe na mesa. Ela se abaixa para pegar os papéis que acabaram de cair e os lápis vendo a cena se formar sentem vontade de pular de sua mesa também. Ela pega tudo e coloca de volta a mesa e então olha pela janela. Ela encara o seu próprio reflexo, o vazio que há naqueles olhos negros que desejam ser preenchidos por algo que ela ainda não sabe o que é. Ela olha para dentro deles e procura por algo que ela não faz se quer a mínima ideia do que seja. Ela parece distante, pensando em nada em particular.
É então que o celular dela toca. A rotina a chama de volta para a realidade monótona de todos os dias serem sempre o mesmo dia sempre. Ela deseja mais uma vez ser esquecida por eles. Ela deseja mais uma vez encontrar algo de valor. O que você perdeu? Do que você precisa, minha menina?
quinta-feira, janeiro 6
Certas palavras
Meu coração não bate como o seu bate porque a armadura dele é diferente da armadura do seu. É ela que controla todo o calor que emana dele, o calor que o ar dos meus pulmões precisa para a minha voz sair mas meu coração é uma marionete que não pode gritar o que sente e principalmente dizer o quanto você me faz bem. Eu queria que o grilo feridasse o silêncio da minha voz...
Eu não respiro como você respira porque a minha freqüência é mais baixa que a sua. O ar que respiro é pesado demais para os meus pulmões e leve demais para expulsar essas palavras, covardes demais para se atirarem. Eu te peço desculpas por isso.
Às vezes quando me olha eu me esqueço que existo. É então que a minha boca se abre mas as palavras não saem porque a necessidade é outra. Meu fôlego percebe que seus lábios buscam, desesperados, o calor dos meus.
Será que o meu silêncio não basta? Terei que ouvir o seu também? E a sua atenção e paciência? Eu preciso delas. Eu te dou as minhas. Preciso ouvir a sua voz sintonizando aquelas palavras, faça a minha pele absorvê-las e ecoar por todo o meu corpo. Repita todos os dias porque a memória do meu coração é curta. Quebre essa armadura. Quebre esse silêncio.
domingo, novembro 28
Desvarios.
A mais de um mês descobri que uma doença crônica se instalou no meu cérebro. E ela nem ao menos me avisou que iria chegar. Nem ao menos bateu na porta ou me cumprimentou. Ela chegou e se instalou em todos os cômodos de meus pensamentos.
Se tornou uma dependência química e física. Queria rir e chorar ao mesmo tempo. Queria apenas ficar na cama, queria sair dela. Queria que o tempo parasse, que ele voasse... me sinto uma louca com todo esse tormento.
E logo eu, que sempre fui uma seguidora de Capelo Gaivota, que nunca estive presa a nada, estou agora ancorada nesse porto me acostumando com essa sensação esquisita de contradições, hiperboles, metáforas e antíteses que me fazem voar ainda mais alto mas sem sair do lugar.
Os sintomas ficam piores. Quando a febre cede, meu corpo anseia por mais.
Minhas mãos tremiam e o médico disse que não podia me ajudar. Era a abstinência acompanhando a minha dependência por essa doença crônica que eu teimo em amar. Eu estou de mãos amarradas.
Eu quero gritar. Eu quero me calar. Meu reflexo não me reconhece mais. Ele diz que eu estou perdida então eu rio para ele e digo que é assim que eu quero estar. Ele diz que eu enlouqueci. E devo mesmo ter enlouquecido. Foi essa doença que trouxe esse cheiro, esses desvarios para mim.
E esse coração aritmado, pulando num frisson desmiolado que não se contém nessa caixa pequena que por tanto tempo ele permaneceu inerte e que agora espera minuciosamente pelos segundos com você.
É, eu sou fraca demais, forte demais e necessitada demais de você.
Se tornou uma dependência química e física. Queria rir e chorar ao mesmo tempo. Queria apenas ficar na cama, queria sair dela. Queria que o tempo parasse, que ele voasse... me sinto uma louca com todo esse tormento.
E logo eu, que sempre fui uma seguidora de Capelo Gaivota, que nunca estive presa a nada, estou agora ancorada nesse porto me acostumando com essa sensação esquisita de contradições, hiperboles, metáforas e antíteses que me fazem voar ainda mais alto mas sem sair do lugar.
Os sintomas ficam piores. Quando a febre cede, meu corpo anseia por mais.
Minhas mãos tremiam e o médico disse que não podia me ajudar. Era a abstinência acompanhando a minha dependência por essa doença crônica que eu teimo em amar. Eu estou de mãos amarradas.
Eu quero gritar. Eu quero me calar. Meu reflexo não me reconhece mais. Ele diz que eu estou perdida então eu rio para ele e digo que é assim que eu quero estar. Ele diz que eu enlouqueci. E devo mesmo ter enlouquecido. Foi essa doença que trouxe esse cheiro, esses desvarios para mim.
E esse coração aritmado, pulando num frisson desmiolado que não se contém nessa caixa pequena que por tanto tempo ele permaneceu inerte e que agora espera minuciosamente pelos segundos com você.
É, eu sou fraca demais, forte demais e necessitada demais de você.
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